Quando se sente no deserto cada grão de areia ardente a ampulheta dos sonhos esvaindo todo o nosso ser a verdade bate a nossa porta esse tempo se foi Quando se sente no deserto de palavras mortas, confusas pesadas ao tocar o papel fracassadas na doce tentativa de ti levar ao sonhado céu Quando se sente no deserto coberto pela tempestade pelo som ensurdecedor do mais puro silêncio nada mais a fazer Quando se sente no deserto se vê com um velho e não mais doce criança que ria ao criar, ao amar Quando se sente no deserto é puxado a cada instante de passo em passo até o fim da esperança de ter linhas, letras curvas de tinta cravadas que alegram os mais pequenos momentos Quando se sente no deserto o cansaço fala mais alto ordena seu descanso suplica para parar Quando se sente no deserto e todo o mais parece incerto e a vontade é fechar os olhos deixar tudo pro lado de lá Quando se sente que é chegada a hora da morte do Poeta...