Morte do Poeta


Quando se sente no deserto
cada grão de areia ardente
a ampulheta dos sonhos
esvaindo todo o nosso ser
a verdade bate a nossa porta
esse tempo se foi

Quando se sente no deserto
de palavras mortas, confusas
pesadas ao tocar o papel
fracassadas na doce tentativa
de ti levar ao sonhado céu

Quando se sente no deserto
coberto pela tempestade
pelo som ensurdecedor
do mais puro silêncio
nada mais a fazer

Quando se sente no deserto
se vê com um velho
e não mais doce criança
que ria ao criar, ao amar

Quando se sente no deserto
é puxado a cada instante
de passo em passo
até o fim da esperança
de ter linhas, letras
curvas de tinta cravadas
que alegram os mais
pequenos momentos

Quando se sente no deserto
o cansaço fala mais alto
ordena seu descanso
suplica para parar

Quando se sente no deserto
e todo o mais parece incerto
e a vontade é fechar os olhos
deixar tudo pro lado de lá

Quando se sente
que é chegada a hora
da morte do Poeta...

Commentaires

Posts les plus consultés de ce blog

O que será?

CAPÍTULO 29 – ELA

Está escrito? Não, eu que escrevo