Fora do rumo
se meu rumo
de hoje dependesse
somente desse dia
que está mais para poente
do que para nascente
um dia cinza
em que meus olhos
são reféns do solo
os murmúrios pelos cantos
os encantos sem arrajos
os recantos esquecidos
se meu rumo
de hoje dependesse
perdido estaria
escrita falha
caneta como navalha
dilacerando a pele
o papel que antes
rimas e versos
prosas e trosas
faziam e rir
e também chorar
hoje só inanição
se meu rumo
de hoje dependesse
estaria fadado
estagnado
a falta de criação
peço perdão
se o que aqui nasce
não traga a nossa face
a emoção
a reação
que faz bater
esse nosso coração
se meu rumo
de hoje dependesse
outro rumo
ao certo, buscaria
por hoje, entretanto
digo adeus
pois sem meu rumo
não sou nada
nem ninguém
não existo
não canto
porém, amanhã
o distante amanhã
serei santo
coberto pelo manto
do encanto
no meu perdido
mas querido rumo

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