Preso em retalhos
eis um daqueles momentos
partes da existência
remendos de instantes
horas, minutos e segundos
frações que bem verdade
poderiam simplesmente
mais que de repente
desaparecer somente
tais momentos
aprisionam e amordaçam
(ok ta muito ruim)
trazem a tona
o desespero
transbordando
a angústia e a agonia
que começam
e cruelmente
tomam conta
não só da mente
mas do corpo
casca que habito
casta de um alguém
(talvez melhores agora)
pois o frio nesse corpo
gerado pela incompetência
e por falta de inspiração
causam esse e tantos
outros efeitos
que me corroem
e de certa forma
destroem o poeta
que ainda, inexplicavelmente,
habita em mim
tenha certeza
que não há
certamente não há
sensação pior
que se ver
diante do papel
com a caneta na mão
e de fato
não conseguir
escrever uma frase
uma ao menos
presos em uma prisão
num turbilhão de palavras
perdidas e confusas
num retalho de dialetos
como se fôssemos
ainda crianças
meros aprendizes
diante de um mundo
gigante e repleto
e que no fim
não saberemos
nem o porquê
de ali estarmos
(acho que não)

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