Alternativa do silêncio


Se você fosse um escritor ou pelo menos tentasse de vez em quando agarrar um simples lápis e algum papel mesmo que sujo, amassado ou amarelado e escrever algumas linhas veria e ratificaria aquilo que vou falar neste momento. Quem escreve sempre se envolve com suas histórias e com os diversos enredos que saem criativamente, ou nem tanto, da mente daquele que se diz dominador da arte escrita. O envolvimento do criador com sua obra é de fato uma relação intrínseca, nada além da normalidade, toda a tinta que corre dentro das folhas escritas é uma fotografia do sangue que corre nas veias do escritor em questão. Mas o meu ponto de abordagem não é esse queridos, creio que até labirintei mais do que gostaria meus poucos e honrosos leitores, se é que os tenho. Enfim, peço desculpas pela minha falta de zelo e digo, então. O que agora desenvolvo se trata de algo sutil e abstrato. Falo de uma situação que muitos podem pensar que se trata de uma simples falta de talento, pouco conhecimento, ausência de criatividade ou qualquer outro tipo de desculpa que venha rapidamente a solucionar a indagação. Mas penso de outra forma, claro, existem casos que as tais alternativas mencionadas se aplicam; pelo menos aqui trago outra explicação, uma versão mais pensada, isenta de preguiça e abundante em reflexões e devaneios loucos, ou quase. Mas antes de expô-la, direi enfim o foco desse maldito e indefinido texto. Pois bem, quem nunca ouviu alguém desabafar no instante da escrita que não encontra palavras pra descrever isso ou aquilo? Isso ocorre quando nos arriscamos ao escrever sobre assuntos e situações de grande impacto sobre nossa racionalidade, sejam momentos de felicidade ou de grandes tristezas, que por sinal creio que sejam a maioria. Ausência de palavras nesse cenário, ao meu ver, é nada mais nada menos do que a reprodução do que é o ser humano de fato. Somos limitados, pequenos, seres que diante de grandes eventos mostram sua real forma, seu real tamanho. Nascemos para falar, para nos expressarmos, porém jamais encontraremos o discernimento, a sanidade e a capacidade de escrever duas linhas ao menos sobre aquelas coisas que nos paralisam. Paramos, tentamos e fracassamos nesse ponto porque somos simplesmente humanos. Digo isso por mim, escrevi tantas e algumas linhas dentro desse texto para no final dizer que não encontrei palavras para expressar aquilo que realmente sinto nesse exato momento. Fingi e trapaceie a mim mesmo, e no fim das contas ninguém ouvirá aquilo que hoje me constrói e me corrói. Talvez mude meu posicionamento anterior, talvez não nascemos para falar, entretanto nascemos para nos expressarmos de uma outra maneira: pelo silêncio, pelos sentidos, pelo sentir. Essa é a alternativa do silêncio. Se não há palavras, apenas sinta.

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