Amigo vento

era simplesmente manhã
e diante daquela janela
entre vigas e ferrolhos
movimentos num momento
abri o mundo diante de mim
mas não, não buscava
nem tão pouco sonhava
com toda aquela vastidão
mas sim, a dita solidão
movimentos, eu no relento
em busca de um sentimento
daquele específico movimento
queria o vento
querido vento
não por poesia ou descrição
perseguia emoção,
lembranças e coração
e assim, fechei os olhos
bem fechados, cerrados
apenas fugir dali
e voltar ao momento
reviver aquele movimento
simples, singelo, banal
para mim, defino: genial
em que teus dedos corriam
e deslizam entre meus cabelos
como uma pura criança
em meio aos vastos campos de algodão
banhada pelo sol quente do verão
amigo vento, devolva-me
pois naquele instante
todo o mais
tornava-se irrelevante
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