Mundo de Platão - Versículo 4 - O andar
estranho, muito estranho o que foi posto
falar desde cedo, aos seus pais fez gosto
mas por outro lado algo faltava
pois o tal do menino não andava
sem preocupação ou esforço
não demonstrava ao menos um esboço
prefiria perder o tempo em sua distração
deslumbrado, estava sempre ao chão
com algo familiar ao alcance da sua mão
um brinquedo, fantoche, não e não
inusitado, pois carregava livros pelo sertão
lactante ainda deslumbrava-se com figuras
ilustrações de outros mundos trazia ternura
não se importava com poeira ou rasuras
pois a excencia era sua verdadeira procura
traços que ao seu redor o deixavam melhor
sem eles o mundo parecia triste, pior
estava preso aquele mundo das letras
se assim ficasse seu destino seriam muletas
nem um passo dado, nem um passo conquistado
secos e imóveis ficavam seus lábios
estradas corridas em seus alfarrábios
o tempo passava como as páginas viradas
mas caminharia de fato pelas outras estradas?
um dia seus gigantes bolaram um plano
nada que envolvesse o sagrado ou o profano
a ideia surgiu aqui, nesse mundo cigano
empirismo dos sapiens, mundano
se as letras são a fonte da questão
pois com elas o tiraremos dessa prisão
os livros dele não estarão por perto
mas o acesso estará sempre em aberto
será a vontade que o fará levantar ao certo
basta que a isca seja posta sobre a mesa
e que ele a veja, isso garanta, tenha certeza
as forças tomarão conta de suas pernas
como os antigos homens das cavernas
que buscam sua presa na caçada
ele, buscará seus livros até na calçada
o plano teve execução ligeira
pra que esperar? pra dar bobeira?
a principio poderia ser asneira
como resolver aquilo dessa maneira?
do certo ao incerto, incrível reverso
Platão deixou aquele regresso
rápido e mágico foi seu sucesso
em dias epifanaram glorioso progresso
caminhar, andar e até pular por uma razão
simplesmente por ter os livros a mão
pelo simples sim ou pelo mero não
letras, histórias
e algumas boas memórias
via-se um caminho para a criança
trilhado com traços de esperança

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