Mundo de Platão - Versículo 3 - Primeiras palavras


correu o tempo tanto quanto o vento
mas não entendia a sílaba, o ponto e o acento
e sem ter o que fazer, observava aqueles sons
sentia a vibração daqueles diversos tons

eram plurais os ruidos daqueles gigantes
tarefa inglória daqueles seres errantes
maratonas diárias, como se tentassem ensinar
pois ouvia e no mais sorria ao desdenhar

aquilo foi se tornando estranho
pois o esforço era tamanho
repetições entre repetições
carícias, minos e sequentes aflições

começou então a pensar
com o tempo decidiu mudar
quem sabe se ao tentar
um dia não iria gostar?

percebia a mecânica do ato
que tal abrir, fechar e soprar
simples, seria um prazer barato
parece que vamos trabalhar

um pouco de prática e ele estava lá
aberto, fechado e soprado
o milagre estava do lado de cá
ambiente de alegria contaminado
pois o pequeno começava a falar

risos e gargalhadas pelas casas
era o centro de tudo, ganhou asas
porém algo está fora do lugar
começou de fato a falar
mas existe algo mais no ar
tudo posui um toque debochado
será que algo estava errado?

não gostava daquela sensação
iria atrás da sua querida razão
melhor pesquisar o porquê da fala
mas até descobrir, ninguém o cala

pensava até mesmo de madrugada
acordava seus gigantes para analisar
via e repetia os movimentos
mas a duvida ficava: pra que falar?
outros tempos e movimentos

passavam até que o sedento
alcançou o seu primeiro invento
foram meses e dados de tormento

pesquisando a avó, o primo e o vizinho
percebeu que ninguém ficava sozinho
se todos falassem tudo com carinho
meio, jeito ou jeitinho
falar é o caminho

descobriu a pólvora da sua era
pois falar, enfim, nada mais era
criar um elo entre eu e você
unir e ceder para enfim receber

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