Poeta de bar
e era só uma conversa de bar
assuntos banais
risadas entre copos
alguns meio cheios
outros a transbordar
vazios, nem pensar
entre umas e tantas
eis um desafio
um ponto a exclamar
olha ali o poeta
deixa ele recitar
ou ao menos
um texto a riscar
pensam que é assim?
escreve isso
escreve aquilo
um quilo de humor
um tantinho de amor
mas vá lá
dê o seu recado
sem pestanejar
trás uma caneta
junto com outra cerveja
peça ao garçom
que ele te dá já
e o poeta com guardanapo
e a tinta em mãos
se põe a pensar?
do que falar
em uma mesa de bar?
fechar os olhos
por um pequeno momento
fazer aquele charme
quem sabe isso cola
a pose de intelectual
sério, isso é casual
e após cinco segundos
sem por uma letra
uma ao menos no papel
eis que surgem
de todos os afanados
as seguidas pressões
divertidas, piadas
junto com palavrões
mas que para o poeta
sim, são agressões
mas deixa pra lá
pois um sorriso ele dá
no canto da boca
e se põe a começar
ele e o papel
a caneta é seu céu
e de repente
sem mais pestanejar
eis que surgem
pequenos milagres
feitos a tinta
de palavra em palavra
de verso em verso
eis ali
por alguns intantes
o rei do universo
e após psicografar
está terminado
difícil de acreditar
pois ali naquele guardanapo
nasce mais uma obra
ou ao menos
algo que na manhã seguinte
fez alguém chorar
poeta não é título
é momento
é invento
é sempre sedento

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