Analogia do amor - 1



o que dessa minha vida eu faria
sem o fantastico uso da analogia
eis, vos digo mais uma sem demora
pois o tempo voa de hora em hora

sempre pensei sobre o tal amor
sua essencia, forma e calor
como nasce em momentos de magia
como cresce seguindo a sintonia
e como morre, em pura agonia

pensei e pensei, até inventei
sentei, deitei, rolei e sonhei
enfim cheguei, naquilo que aprovei
uma filosofia na qual mergulhei

então vos conto aqui e agora
sem mais delongas, minha história
imagine só, se somente o tal amor
pudesse ser comparado a pura flor

vejamos o milagre do nascimento
é preciso um primeiro sentimento
daquele que oferece a intenção
com aquela que cede a confirmação

já para que se sustente
tantos outros são influentes
paciência e também carinho
amor e amar devagarzinho
mesmo com tanto frio e calor
aos poucos encorporará o teor

no instante da morte porém
dor virá daqui, mas irá além
ao vermos uma pétala se despedaçar
se despedaça o que nos faz respirar

assim como o frágil caule vai ao chão
o amor não entende o porquê do não
sofremos, lamentamos pois aquela flor
tão cultivada, adorada e fonte de amor
estas morta para mim, pobre sofredor

entretanto, lamúrias a parte
vejamos o instante de arte
pois vale mais ver uma partir
e de tempos deixar de sorrir
do que não saborear enfim
a beleza de um eterno jardim

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