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desceu do cavalo
sentiu os joelhos cansados
aspirou o puro ar
olhou para o chão
viu a relva espalhada pelo vento
fechou os olhos por um momento
balançou a cabeça
como quem diz não
não e não, mil vezes
punhos cerrados
abraços, braços
como se fossem amarrados
pequenos passos
sem perceber, correu
sem destino
apenas agir
esquecer o pesar
o pensar
queriar sumir
esquecer
qual a questão enfim
o fim estaria ali?
cansava
pernas tremulas
inacreditável
mesmo se afastando
o que o atormentava
continuava ali
ao seu lado
penetrando
corroendo sua mente
seus pensamentos
suas memórias
como esquecer?
correr, pelo visto
não era uma opção
pensou então
se para viver
devo esquecer
melhor viver
viver e não pensar
no que esquecer
pois tentar esquecer
fazia-o enlouquecer
adoecer
viva, apenas por viver
é a raiz
essencia motriz
não esqueçamos da beleza
da riqueza
da relva
do vento
daquilo que vemos
daquilo que levaremos
conosco para o sempre

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