Memórias perdidas
tento puxar da minha frágil, fraca e debilitada memória algum texto,
conto, o que quer que seja, algo que por algum motivo deixei inacabado.
Linhas que foram escritas por algum motivo, alguma história, casuais
memórias. Mas que por detalhes, pequenos, irrelevantes ou até mesmo
inusitados detalhes foram esquecidas, deixadas pra trás, simplesmente por
mim, seu criador. E são tantas as possibilidades, imagine só! De
empurrões, gargalhadas, distrações, topadas no canto de calçadas,
atrações e até mesmo de traições. Tudo, tudo o que queria agora era
resgatar algumas dessas linhas, dessas prosas, estrofes, versos, canções,
dessas histórias que ficaram no meio do caminho ou no fim do destino.
Esforço-me, mas tudo que vejo passar são sombras, vultos, palavras sem
ligações, desvinculadas dos seus verdadeiros propósitos. Esforço-me mais
ainda, tento buscar não mais no que está em minha cabeça, mas exploro
mais em baixo, em meu músculo mais intenso, porém mais sereno, no
coração. Entretanto, nesse momento, sinto como se esse estivesse pleno,
preenchido de veneno, como se uma neblina o envolvesse e assim todas
minhas boas lembranças se dissolvessem. Passo minutos, ou até mesmo horas
nesse exercício, porém, tudo reflete e repete o mesmo resultado: em vão.
Tudo me vem em lacunas, vazias. Depois de alguns instantes, enfim começo
a entender o que se passa. Existe uma razão pra tudo isso, uma noite mal
dormida, memórias mal vividas, palavras mal ditas, doses benditas!
Entenda, perder a memória pode ser fatal, mas as vezes, as vezes pode
render algo mais que insonia e preocupação. Certas vezes, ao certo,
gerará imersão em uma nova visão, uma extensão, uma redação. Colidindo
com tudo que é normal, casual, eis aqui algo que está fora desse cenário,
algo surreal, que deriva do improvável, daquilo que é reprovável. Um novo
texto tendo origens no nada, simplesmente na ânsia por escrever, na
súbita vontade de dizer, que o que eu queria mesmo era estar aqui, com...

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