A morada
a casa que morava era bela
motivo de orgulho
ostentação
um bonito jardim
orquídeas e jasmins
aroma ardente
encandeante
tudo dava alegria
amplos quartos
boas vigas
lage coesa
paredes grossas
tudo dava segurança
seu detalhe favorito
por sinal
era a vista
uma paisagem incrível
deslumbrante
via e revia
por horas e horas
tanto o nascer
quanto o pôr do sol
entre florecer do jardim
quanto o voo dos pássaros
ali sim era seu paraíso
ali sim chegava a sua conclusão
que ali, de fato, era seu lugar
tato tempo que passava
tanta certeza que ganhava
ali era seu chão
entretanto
sua vista turva se tornou
aos poucos a beleza perdia o sentido
e se questionava por qual motivo
por qual razão aquilo acontecia
aquela vista
antes tão bela
aquela sensação
antes tão certa
tão atrativa, para ela morria
a vista turva
a neblina que se constitua ali
entre seus olhos
nada mais era
nada mais era
era nada demais
era nada demais
a vida passava
a vida passou
e de repente
simplesmente notou
que de casa tinha mudado
que aquela antiga morada
tinha se perdido
sem motivo
ou razão
somente não se lembrava
onde havia parado
aquela doce sensação
de ter achado
o tanto esperado
e hoje só ver aquela vista
no distante passado

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